Sé do Porto

história, cultura e tradição portuguesa.

O coração do centro histórico do Porto! Uma magnífica obra de arquitetura simples e austera. Situada no monte de Penaventosa, esta fortaleza de granito é de origem românica. No entanto, a sua história revela alterações que apagaram os seus traços primitivos. Conheça os aspetos que marcam este admirável monumento.

Até à conquista de Lisboa, a Sé do Porto não passava de uma pequena ermida, altura em foi lançada a primeira pedra. Conta-se que D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, pressionava a sua edificação e o seu filho D. Sancho I deu continuidade à sua construção após a morte de seu pai. A conclusão da parte mais antiga, a frente e o deambulatório com as capelas laterais, ocorreu durante o reinado de D. Afonso III. Com a edificação das naves do templo termina-se a construção da Sé no reinado de D. Dinis.

Construída na parte mais alta da cidade, a Catedral da Sé localiza-se no coração do centro histórico do Porto. Com uma aparência que faz lembrar uma fortaleza medieval, é uma igreja fortificada de estilo românico, com influências da Sé Velha de Coimbra e da região francesa do Limousin. A sua construção decorreu durante o século XII e XIII impulsionada pelo bispo D. Hugo, mas acabou por sofrer transformações durante os períodos maneirista (XVII) e barroco (XVIII), alterando a sua configuração original.

Sé Catedral do Porto - Exterior

Na fachada frontal, que preserva parte substancial do seu traço inicial, vê-se um novo portal de inspiração barroca, e lá no alto das torres, as cúpulas e suas balaustradas são resultado das intervenções do mesmo período. A profunda remodelação efetuada em 1722 na parte inferior da fachada é lembrada numa pedra sobre a arquitrave da porta. A meio da torre do lado esquerdo, dois elementos gravados no granito se apresentam – um signo de salomão, símbolo dos templários, junto ao primeiro gigante – e uma barca do século XIII, a coca, de origem nórdica e mais antiga representação que no Porto se conhece duma embarcação.

Na torre do lado direito, e ao subir as escadas, repare nos dois sulcos profundos talhados na pedra, são padrões de medidas lineares usados para as trocas comerciais que se faziam aqui na antiga Rua da Feira e a sua fiscalização ficava a cargo do bispo. Na fachada lateral destaca-se a intervenção de Nicolau Nasoni com a criação da Galilé. Este enorme artista florentino foi o autor de um estilo barroco que a catedral adquiriu, não apenas pelo desenho e construção da Galilé mas também por outras intervenções como as pinturas murais da capela-mor.

Sé Catedral do Porto - Interior

O seu interior está dividido em três naves cobertas, todas elas assentes em estruturas arqueadas em feixes, sob a forma de abóbadas ogivadas. Na nave central, a luz natural que entra pela bela rosácea e frestas laterais eleva a sóbria imponência dada pelo acentuado verticalismo desta nave. Duas monumentais pias de água benta em mármore rosado, dos finais do século XVII, podem ser encontradas junto às portas. Já o magnifico baixo-relevo do escultor Teixeira Lopes (pai) pode ser admirado na capela da pia batismal seiscentista.

A capela-mor, localizada ao fundo da nave, é do período maneirista (1610), onde se apresenta um retábulo de talha dourada (séc. XVIII), considerado como um precioso exemplar do barroco joanino. Já a decoração pitoresca das paredes é de Nicolau Nasoni, e por cima dos cadeirais do cabido localizam-se dois órgãos de tubos.

No transepto do lado esquerdo, está a imagem de Nossa Senhora de Vandoma, padroeira da cidade do Porto desde 1984 – civitas Virginas. E junto a este, na capela do Santíssimo Sacramento destaca-se o magnifico altar de prata (1632), obra fundamental da ourivesaria portuguesa apresentado com uma extensa iconografia bíblica, centrada na Eucaristia. Reza a lenda que este altar escapou à pilhagem das tropas de Napoleão graças à construção de uma camada de gesso por um sacristão, que assim o ocultou. O moderno lampadário é de Teixeira Lopes. No transepto do lado direito está a imagem da nossa senhora da Silva, e a capela barroca dedicada a S. Pedro.

Claustro Gótico

O Claustro Gótico (1385) divide-se por dois pisos, sendo o primeiro formado por quatro arcadas com passagem ao pátio central. As paredes do recinto estão revestidas com sete grandes painéis de azulejo figurativos de autoria de Valentim de Almeida, representando cenas do “Cântico dos Cânticos”, em referência ao diálogo místico entre Deus e a Virgem, padroeira da Catedral.

No centro do pátio está um cruzeiro em pedra, assente em plataforma octogonal de três degraus, albergando a Virgem. Na sua cruz florenciada, Cristo aparece na face frontal e Nossa Senhora da Piedade na posterior. Através da escadaria nobre (1736) de Nicolau Nasoni, se acede ao piso superior. Nos seus patamares localiza-se a grande estante de bronze (1616), com as armas de D. Gonçalo de Morais, e o antigo sino do relógio da cidade (1697, obra de D. José Saldanha).

Uma magnifica vista panorâmica e um conjunto de painéis de azulejos que retratam cenas campestres e mitológicas irá poder observar no segundo piso. No “claustro velho” ou também conhecido como “cemitério do Bispo” apresentam-se alguns elementos arqueológicos com interesse. A capela de S. Vicente (fins do séc. XVI), caracterizada pelo seu moderado traço clássico, guarda túmulos de vários Bispos do Porto. Destaca-se também a presença de um notável cadeiral do séc. XVII com cenas bíblicas, do Antigo e Novo Testamento.

Casa do Cabido

A Casa do Cabido, anexa ao claustro e à Sé, foi construída em 1582 e reconstruída no primeiro quartel do séc. XVIII. Ilustres esculturas religiosas (dos séc. XIV a XVIII) são reveladas no andar superior, e na antiga sala do cartório vislumbram-se os painéis de azulejos de Vital Rifarto. Já na grande sala capitular o destaque vai para o teto de masseira com as pinturas de Giovani Battista Pachini (1737), dispostas à volta de S. Miguel, patrono do Cabido, representando catorze alegorias morais.

O “tesouro da Catedral” encontra-se exposto no piso intermédio, como também nove grandes vitrinas contendo objetos de ourivesaria, paramentaria e livros litúrgicos, relativos ao culto catedralício. Descubra também o artístico sarcófago existente na capela de S. João Evangelista, esta notável arca tumular é de João Gordo, o cavaleiro de Malta.

Sugestão

Devido à sua localização privilegiada no morro de Pena Ventosa, a Sé foi inicialmente o centro de toda a atividade durante o período medieval. A zona interior da cerca velha guarda os segredos mais antigos da vila medieval e que podes descobrir com o nosso Tour 1 – Porto Medieval. Descobre a cidade do Porto e conhece a sua história e cultura com a app Walkinporto.

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Licenciado em Geografia, desde 2018 que me tenho dedicado ao turismo. Neste projeto procuro divulgar a cultura e história de Portugal e o Porto é a cidade de partida!